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Até Cunhal sabia que a diplomacia não é para meninos de coro

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07.03.2026

O mundo, além de perigoso, é complicado. Por isso, a diplomacia e a guerra não são temas propícios a almas sensíveis ou a espíritos que pretendem apenas sinalizar virtude. Esta semana, percebemos isso muito bem ao ouvir alguns políticos portugueses de esquerda. Falando sobre a guerra no Irão e sobre o uso da base das Lajes pelas forças norte-americanas, Paulo Raimundo, do PCP, apontou o dedo indicador tremelicante na direção do governo e decretou, com tremendismo, que o primeiro-ministro “ajoelhou o país perante mais uma agressão militar”; Fabian Figueiredo, do BE, trovejou que Luís Montenegro “branqueou crimes de guerra”; e José Luís Carneiro, comicamente entalado entre as diferentes pressões vindas do PS, criticou com a mesmíssima veemência “a intervenção dos EUA” e “a resposta do Irão”. Esta troika das pombas e das flores comportou-se como se estivesse ainda no jardim do Éden sem se deixar abalar pelas dificuldades labirínticas que assolam a realidade. Tinha de ser assim, uma vez que a esquerda só se move pela pureza das convicções? Não tinha. Mas se Paulo Raimundo, Fabian Figueiredo e José Luís Carneiro não quiserem confiar em mim, talvez se possam guiar pelo exemplo de Álvaro Cunhal.

O primeiro governo logo depois do 25 de Abril, liderado pelo respeitado advogado Adelino da Palma Carlos, juntou em conselho de ministros a lista completa do “quem é quem” do novo regime. Francisco Sá Carneiro era ministro Adjunto, Mário Soares era ministro dos Negócios Estrangeiros, Salgado Zenha era ministro da Justiça, Almeida Santos era ministro da Coordenação........

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