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Meloni e a Itália

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06.09.2026

Muito se tem falado da data assinalada pelo governo de Giorgia Meloni que comprova o executivo mais longevo desde a fundação da República. Na realidade, é preciso ver que Meloni não é o chefe de governo com mais dias em exercício. Essa putativa distinção cabe a outros antecessores como Giulio Andreotti e Silvio Berlusconi. É verdade que a duração do actual mandato de Meloni não deixa de ser um feito a comemorar numa república marcada pela fugacidade dos seus governos. Porém, as  generalizações que têm sido feitas escondem dois factos mais decisivos.

O primeiro é o de que as décadas da democracia-cristã italiana, ainda que caracterizadas por governos de curta duração, foram mais estáveis politicamente do que essa simples aritmética faria supor. Com o domínio do partido da democracia-cristã de De Gasperi, Fanfani, Andreotti e Moro – por vias democráticas e outras não-democráticas –, embora a figura do Primeiro Ministro mudasse, muita da estrutura e da agenda dos governos ia permanecendo. Na vertiginosa sucessão de governos, houve mais continuidade do que atribulações ou rupturas. Em retrospectiva, isto é, visto a partir dos três primeiras décadas do século XXI, essa continuidade, com todas as suas patologias, que incluiu corrupção, influências mafiosas e terrorismo de extrema-esquerda, parecem agora uma época de ouro. Não é preciso boa-vontade excessiva para tornar este exercício comparativo lisonjeador para a Itália do pós-II Guerra Mundial – pelo menos até ao início dos anos 90. A Itália dessa época teve crescimento económico sustentado como nunca tivera antes, nem voltou a ter desde então, abrangendo inclusivamente o território a........

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