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A mentalidade revolucionária e nós

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25.10.2026

A exaustão espiritual da Europa é patente em todos os aspectos da vida social do nosso tempo. Para alguns, o indiferentismo generalizado e convertido em regra de vida é tomado por triunfo da liberdade. Mas não é.

Os alicerces e as instituições da sociedade assente nas liberdades individuais, na prosperidade económica e na coesão cívica depende de uma dose regular de investimento imaterial. Depende da aceitação e adesão da grande maioria da população aos “valores” e bens que estão na base de toda essa infraestrutura. Não se trata aqui de esforço intelectualizado, nem da aparição regular em comícios vociferando palavras de ordem. É outra coisa a que os franceses há muitos anos chamavam moeurs.

Os moeurs eram as crenças e os “valores” convertidos no quotidiano em comportamentos, gestos, reflexos, maneiras, em louvores e reprovações espontâneas. No fundo, a democracia liberal, representativa e constitucional tem os seus próprios moeurs. Sem os seus próprios moeurs, a democracia morre.

Contudo, a situação em França, que sinaliza o que está a acontecer de modo mais ou menos latente por toda a esfera ocidental do continente, incluindo em Portugal, mostra que essa exaustão está a atingir um ponto muito perigoso. Esperemos que não seja irreversível.

O que hoje sucede a cada minuto em Portugal e nos seus vizinhos europeus é, nada mais, nada menos, do que um colapso ominoso da nossa........

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