menu_open Columnists
We use cookies to provide some features and experiences in QOSHE

More information  .  Close

A Alemanha depois de Merkel

15 6
26.01.2026

Tem sido acontecimento recorrente ouvir o Chanceler alemão Merz desdobrar-se em afirmações públicas surpreendentes. Não que sejam controversas; pelo contrário, exprimem um bom-senso há muito ausente dos anúncios feitos por Berlim. São surpreendentes apenas porque a Alemanha habituou-nos desde há 20 anos a seguir a sujeição à fortuna, a navegar ao sabor dos ventos até chegar a sucessivos becos sem saída.

Mas, afinal de contas, o que tem dito Merz? Responsabilizou-se pela segurança da Ucrânia sem ambiguidades numa Europa pós-americana; afrontou sem concessões a ameaça russa (não conseguindo no final financiar o esforço de guerra com os activos russos “congelados”); comprometeu-se sem as hesitações anteriores com o rearmamento alemão; denunciou como um “erro estratégico grave” o abandono da produção de energia nuclear, o que tornou a transição energética alemã “a mais cara do mundo”, provocando a delapidação da sua lendária capacidade industrial; inverteu a política migratória e a retórica cultural da coesão social; exasperou-se com a estagnação reformista e a propensão burocrática do seu país e, por arrastamento, da Europa; advertiu que a dependência económica relativamente à China e o apagamento geoestratégico relativamente ao resto do mundo não eram mais sustentáveis. E tudo isto a partir de uma situação de fraqueza económica sem precedentes desde os “milagres” do pós-guerra, a........

© Observador