Nada é grátis
No pensamento económico, Milton Friedman é frequentemente associado a uma frase: “Não há almoços grátis”. A ideia é simples: aquilo que recebemos tem um custo, mesmo quando não o vemos ou não pagamos diretamente. É uma ideia particularmente importante quando falamos nos serviços públicos basilares seja a educação, a saúde ou até a habitação que dizemos ser “gratuitos”. Mas gratuito para quem? O facto de um cidadão não pagar diretamente por uma consulta, uma escola ou pela utilização de uma infraestrutura não significa que esses serviços não tenham custos mas que apenas o pagamento é feito de outra forma e, muitas vezes, por outras pessoas.
Uma escola tem necessidades de equipamento e recursos humanos, assim como uma escola e uma ponte. Nada é gratuito. O dinheiro que financia estes recursos provém, em grande medida, de impostos ou de outras receitas públicas. Em Portugal, a carga fiscal atingiu 35,1% do PIB em 2024, acima da média da OCDE, de 34,1%. Este valor não significa que cada português entregue ao Estado 35,1% do seu rendimento, mas demonstra a dimensão dos recursos que passam pelo sistema fiscal.
É importante aqui invocar Henry Hazlitt que no capítulo “Obras Públicas Significam Impostos”, de Economia Numa Lição, chama a atenção para aquilo que vemos e para aquilo que não vemos. Vemos a ponte construída, os trabalhadores empregados e a infraestrutura concluída. É muito mais difícil ver aquilo que não foi construído ou produzido porque os recursos foram utilizados naquela obra. Uma........
