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1789 não nos tornou livres

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24.02.2026

Por muito tempo, ouvi e deparei-me com uma ideia que nunca oferecia sem grande resistência  intelectual: a Revolução Francesa foi o nascimento inevitável da democracia contemporânea.  Celebrações cegas e simplificações, sobre tudo isto, construiu-se um mito político confortável que  transforma 1789 numa origem sacralizada da liberdade. O problema não é apenas histórico, mas  também conceptual. Ao confundir a ideia de liberalismo com rutura revolucionária, criou-se uma  narrativa que glorificou a destruição institucional enquanto ignora os custos sociais, morais e  políticos que a própria rutura produziu. Não se nega a democracia, mas não a podemos tratar como  se fosse produto de um momento revolucionário absoluto.

A democracia contemporânea não nasceu subitamente da rutura. Processos evolutivos anteriores,  reformista e limitativos quanto à ação do poder político. Edmund Burke rapidamente percebeu isto  com uma franca clareza que é desconfortável ainda hoje para os seus críticos. A sua defesa do  reformismo gradual das instituições era uma ideia consciente de que destruir instituições em  nome de princípios abstratos raramente irá trazer liberdade duradoura. A política não começa do  zero, e a história não é um erro a corrigir através de decretos ideológicos.

A Revolução em França confundiu emancipação com rutura absoluta. Ao proclamar direitos  universais desligados da tradição e memória histórica, substituiu liberdades concretas por  princípios teóricos abstratos, alguns necessários obviamente, outros........

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