A formação de preços e a mobilidade na Margem Sul
A integração da Fertagus no Passe Navegante Metropolitano, em abril de 2019, foi apresentada como um sucesso da política pública de mobilidade: transporte mais barato, maior utilização do transporte coletivo e reforço da coesão metropolitana. A redução do custo mensal para os utilizadores foi real e particularmente relevante para quem depende diariamente da ligação ferroviária entre a Margem Sul e Lisboa.
No entanto, políticas públicas não se avaliam apenas pelo preço pago pelo utilizador, mas pela sustentabilidade do sistema que criam. E é nesse plano que não se podem ignorar os problemas estruturais notórios e que importa discutir.
Choque tarifário e concentração da procura
O Passe Navegante introduziu um teto tarifário administrativo uniforme, desligado da distância, do operador e da estrutura de custos. O efeito económico era previsível: a procura concentrou-se nos modos mais rápidos e fiáveis, em particular na ligação ferroviária assegurada pela Fertagus.
A comparação entre o período pré e pós-integração é esclarecedora. Antes de 2019, a Fertagus transportava cerca de 18,5 a 19 milhões de passageiros por ano, correspondendo a uma média diária próxima dos 75 mil passageiros. Após a........
