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Por que razão me senti tantas vezes estrangeira no meu própr

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18.10.2026

A escolha da Lufthansa para adquirir uma participação na TAP aproxima duas companhias, dois países e diferentes formas de trabalhar. Para além das decisões empresariais, esta aproximação coloca uma questão humana que me acompanha há muito: o que acontece quando pessoas com referências culturais diferentes procuram compreender-se?

O alemão entrou na minha vida aos quatro anos, quando comecei a frequentar o Colégio Alemão do Porto, onde estudei durante 14 anos e concluí o Abitur, o exame que marca a conclusão do ensino secundário na Alemanha. Apesar desse percurso, decidi fazer os meus estudos universitários em Portugal. Queria conhecer melhor o meu próprio país, compreender a cultura em que também me reconhecia e descobrir o lugar que ocupava entre estas duas referências.

Mais tarde, vivi e trabalhei na Alemanha, na Universidade de Freiburg, e escrevi a minha tese de doutoramento em alemão. Na defesa, perante um júri composto apenas por suíços e alemães, ouvi uma observação que nunca esqueci: estava a defender o meu trabalho como uma alemã, não como uma estrangeira.

A frase ficou comigo. Durante muito tempo, eu própria me tinha sentido estrangeira no meu país. E, naquele........

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