Genocídio? Só se for do discernimento e da razão
Nem queria acreditar no que os meus olhos estavam a ler quando tropecei no artigo “Como se faz um genocídio” , publicado no Público. O texto trata as audições parlamentares sobre a Lei n.º 38/2018 — a lei da autodeterminação da identidade de género — como se fossem uma etapa de um processo genocida. Invoca a linguagem das dez etapas do genocídio de Gregory Stanton e afirma que, na Assembleia da República, há cadeiras para todos os deputados, mas para as pessoas trans apenas audições para decidir se existem. A acusação é grave. A base factual em que assenta é, no entanto, inexistente.
O sexo nos humanos é binário. É definido pela organização do desenvolvimento sexual em torno da produção de gâmetas: espermatozóides ou óvulos. Os cromossomas, as gónadas e o desenvolvimento fetal estabelecem esta realidade material. Nenhuma intervenção farmacológica ou cirúrgica a altera. Bloqueadores da puberdade, hormonas cruzadas e cirurgias modificam características sexuais secundárias e criam um estado de dependência médica permanente. Não mudam o sexo. Afirmar o contrário não é ciência; é ideologia que exige que a biologia se dobre — uma ideologia nascida nos departamentos universitários de estudos de género e teoria queer, onde académicas como Judith Butler e outras........
