Uma direita homologada
Terça-feira, 14 de Julho, Assembleia Municipal de Lisboa. O PSD apresentou um Voto de Saudação “Pela atribuição do Prémio Camões 2026 à escritora Lídia Jorge”, naturalmente aprovado por esmagadora maioria (mas não por unanimidade). Um documento curioso. O PSD registava o Prémio Camões mas não ficava satisfeito com as cortesias de ocasião. Quis superar-se, engrandecer mais do que o prémio, roçar-se um pouquinho naquele prestígio todo. Ao longo da prosa construiu um retrato político e moral da escritora: “liberdade”, “coesão”, “identidade portuguesa”, “democracia”, “pensamento crítico”. Durante o debate, para esguichar sobre a sala alguns exemplos, o PSD evocou o discurso de Lídia Jorge em 2025, no último 10 de Junho de Marcelo Rebelo de Sousa.
Boa ideia. É a maneira de conhecermos Lídia Jorge politicamente, já que esse é o aspecto que interessa. De resto, não se espera dos deputados uma autorizada avaliação artística ou literária. Essa parte pertencia ao júri do Prémio Camões. Mas espera-se dos deputados o conhecimento e a interpretação dos aspectos políticos. Regressemos ao discurso de 10 de Junho.........
