Casas caras por decreto
Terça-feira, 14 de Julho, Assembleia Municipal de Lisboa. Outro assunto. Discutia-se um documento – sonso – do PS sobre venda de património municipal e o debate inteiro assentava no velho resmungo: o Estado deve construir porque “os privados não produzem habitação para as classes mais baixas”. Um deputado socialista perguntou onde é que estava “uma única habitação privada a preços acessíveis” e robusteceu a pergunta explicando que “os privados podem ganhar mais com habitação de luxo, não vão fazer habitação para as classes mais baixas”. Era inevitável. As velhas incompreensões esquerdistas, as velhas “classes”, os velhos truísmos. Num país habituado a detestar e punir o êxito empresarial, há uma certa força intuitiva nesta ideia de que um privado preferirá sempre vender mais caro. À superfície, parece fazer sentido. Mas então, por que motivo existe um mercado em que a indústria produz automóveis para os milionários, para as classes médias e para famílias com rendimentos muito limitados?
Nenhum socialista parou para reparar que há carros de luxo, carros caríssimos, carros médios e carros baratos. Curiosamente, não é o Estado quem os........
