A armadilha do SAFE
A Europa quer rearmar-se depressa. O problema é que ao tentar proteger a sua indústria pode estar a impedir Portugal de comprar o que realmente precisa. Numa altura em que a Cimeira de Ancara exige aos Aliados a eliminação de barreiras comerciais e uma maior interoperabilidade o SAFE arrisca transformar–se numa máquina de burocracia que premia a pureza regulatória e castiga essa mesma integração.
1. O SAFE uma oportunidade que Portugal não pode desperdiçar
Adotado a 27 de maio de 2025 o SAFE é o mais ambicioso instrumento de financiamento da defesa europeia em décadas com até €150 mil milhões em empréstimos de longo prazo atribuídos com base em planos nacionais e pedidos formais dos Estados-membros. Dezoito países já sinalizaram interesse em cerca de €127 mil milhões.
Portugal aparece com uma intenção inicial perto de €5,84 mil milhões. Se a Comissão validar essa verba Lisboa poderá acelerar a substituição das fragatas da classe Vasco da Gama, reforçar a defesa aérea de média altitude, adquirir munições em escala e modernizar C4ISR, comunicações e drones. É uma janela rara. Mas não é um cheque em branco. É um cheque condicionado.
2. A regra dos 65%, o detalhe que manda em tudo
O SAFE impõe uma regra simples no papel e brutal na prática pois pelo menos 65% do valor de cada produto financiado tem de ter origem no mercado único da UE, na Noruega, na Islândia ou na Ucrânia. O resto não pode ultrapassar 35%.
Nos sistemas mais complexos – defesa aérea,........
