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No fim, ninguém pede mais dinheiro

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06.07.2026

Durante os anos em que fui capelão de uma Unidade de Cuidados Paliativos, houve um objecto que me ensinou mais sobre a vida do que muitos livros de filosofia, psicologia ou teologia. Não era o crucifixo suspenso na parede, nem os monitores que desenhavam no ecrã a fragilidade de um coração, nem os frascos de medicamentos alinhados sobre a mesa de cabeceira. Era uma cadeira.

Era uma cadeira simples, quase sempre igual a todas as outras, colocada discretamente ao lado da cama. Tão discreta que poucos reparavam nela. Contudo, bastaria permanecer alguns dias naqueles corredores para perceber que era ali que se desenrolavam as cenas mais profundas da existência humana. A medicina fazia o seu trabalho. A enfermagem oferecia um cuidado admirável. As famílias procuravam forças onde julgavam já não as ter. Mas era naquela cadeira silenciosa que o amor, despojado de qualquer espectáculo, encontrava finalmente lugar para se sentar.

Ao princípio, eu via apenas pessoas. Um marido que chegava todas as manhãs antes da hora da visita, retirava o casaco, puxava a cadeira para junto da cama e permanecia em silêncio durante longos minutos, segurando uma mão que já quase não respondia. Uma filha que atravessava o país depois do trabalho para estar apenas quarenta minutos junto da mãe. Uma criança que não compreendia inteiramente a palavra «terminal», mas compreendia perfeitamente que o avô sorria sempre que ela lhe pousava a cabeça no ombro. Uma esposa que adormecia sentada, vencida pelo cansaço, sem nunca largar os dedos do homem com quem partilhara cinquenta anos de vida.

Mais tarde percebi que, afinal, não estava apenas a olhar para pessoas. Estava a assistir ao momento em que a vida deixava........

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