Recordando Edgar Morin
1.A morte de Edgar Morin passou quase despercebida no nosso país. É sempre assim: quando morre um intelectual do prestígio dele, ainda por cima desenfreado e heterodoxo, a esquerda nacional cala, a não ser alguns figurões que em bicos de pés lá tentam aproveitar-se do nome dele para se promoverem como «intelectuais».
Morin interessou-se toda a vida por dissecar as possibilidades do conhecimento nas ciências humanas. O homem na sua versatilidade e imprevisibilidade foi sempre o centro do seu pensamento, pelo que não é asneira nenhuma chamar-lhe um pensador humanista.
Precisamente por ser assim é que teorizou a complexidade do pensamento contra todas as ortodoxias. É por isso que foi obviamente expulso do partido comunista francês em 1951, a que tinha aderido pela mão da sua militância na resistência contra o invasor nazi.
Para Morin o pensamento ocidental continua preso ao paradigma racionalista herdado do Discurso do Método de Descartes que separa as coisas para as compreender, as reduz ao seu expoente mais simples para depois as reunir numa síntese superior e abstrai de particularidades ditas supérfluas. Permitiu grandes avanços no domínio das ciências exactas, designadamente na física e na biologia, mas fora daí gerou resultados nocivos porque se esqueceu do homem no centro das suas preocupações e não levou em conta que o dado........
