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O juízo e o preconceito

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1.São coisas diferentes? São. Até opostas. Quem preconceitua é porque é incapaz de ajuizar. Infelizmente é o que se vê e lê mais entre nós na imprensa escrita e na televisão. E então nas redes sociais nem se fala.

Sem preconceitos ninguém vive. A sociedade actual é tão complexa e fragmentada que sem lançar mão deles, adquiridos sabe-se lá como, por osmose ou por tradição ou seja lá como for, ninguém se conseguiria mexer na vida prática. Não são mal nenhum. Os preconceitos são uma realidade insofismável. Têm raízes no passado. E servem de orientação no presente.

O preconceito é seguro. Através dele não precisamos de questionar a verdade que transporta. É funcional ou seja, escorrega bem e evita problemas porque não deixa soluços nem arrependimentos. E, sobretudo, reconcilia-nos connosco. Não temos de sair do casulo e de nos aventurar em terrenos inóspitos. Que bom! É fácil, é barato e, quiçá, dá certezas.

O problema está em sair dele. É que pode facilmente bloquear a compreensão da realidade presente. É este o perigo do preconceito. E isto porquê? Porque evita o juízo o qual, por sua vez, consiste na interpretação da realidade presente sem critérios «a priori» de que partir. Dissipar o preconceito........

© Observador