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O esquerdismo está sempre em insurreição

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11.07.2026

1. Não há nada a fazer. O esquerdismo internacional e o português em especial julgam que a política é a insurreição permanente. É adepto de um poder radicalmente criador, espécie de versão secular do divino poder de criar uma ordem sem a ela ficar submetido, livre de todo o constrangimento e, portanto, por natureza violento.

O esquerdismo confunde o poder constituinte, poder originário do povo e a poucos limites sujeito, com a insurreição. O lugar desta não é obviamente o parlamento nem qualquer instituição submetida ao direito. A legitimidade popular é apenas a decorrente do activismo, contra qualquer forma de institucionalização. O poder está só na rua e não tem limites. A política é pura acção  e vive apenas do presente. O presente é a eternidade. O passado não conta para nada. O lugar da insurreição é a barricada. E atrás da insurreição vem a tão desejada violência. O simples nome da agremiação da extrema-esquerda francesa (La France Insubmisse) capitaneada por um esquizóide de nome Melenchon, diz tudo.

Para eles a própria noção de povo confunde-se com a do povo insurrecto ou seja, o povo só existe enquanto está insurrecto e por detrás da barricada, sempre «em luta». Fora disso nem existe. O esquerdismo faz o que pode para manter viva e incandescente a insurreição para assim cumprir a promessa «democrática». Institucionalizar o poder, rodeá-lo de cautelas jurídicas, dividi-lo e limitá-lo, nem pensar: é atraiçoar o ímpeto revolucionário que o esquerdismo quer cavalgar.

Era por tudo isto que o malandro do Saint-Just quis adiar a feitura da Constituição do ano 1 (que seria aprovada em 1793) com receio de comprometer a força revolucionária e que o p. c. português quis, em conluio com um determinado sector do MFA, protelar as eleições que acabariam por se realizar em 1975 e tentou por todos os meios condicionar o voto (lembram-se da propaganda ao célebre «voto em branco» que equivaleria a «votar no MFA», de modo a diminuir os votos nos PS, no PSD e no CDS?) e manipular a feitura do texto constitucional (lembram-se do cerco à Assembleia Constituinte?). Eu lembro-me: assisti.

Há sempre pretextos para alimentar a insurreição. Desde o ódio ao clero e aos aristocratas durante a revolução francesa, aos capitalistas, latifundiários (mais tarde........

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