O caminho certo para a discórdia
1.As sociedades actuais não estão em crise estrutural contrariamente ao que o vão marxismo pensava ao prometer a substituição do modelo capitalista pela necessária alternativa socialista a médio prazo ou a longo prazo. O capitalismo está rijo, está muito rijo dizia aos alunos o meu antigo professor de Finanças, conhecido homem de esquerda.
Mas seria disparate ignorar que as sociedades complexas em que vivemos passam por fases de crescimento e de estagnação e que em qualquer delas se podem verificar fenómenos agudos de instabilidade e até de conflito. É que todas as sociedades pressupõem a cooperação e a legitimidade das instituições e quando estas se estragam a crise está perto, mesmo que o seu resultado não seja na maior parte das vezes revolucionário.
2.Não é a desigualdade social que, por si só, faz despoletar as crises. Em qualquer sociedade evoluída e complexa existem elites económicas e sociais, de diversas proveniências, e a certo nível de desigualdade é certamente factor de progresso e desenvolvimento a todos os níveis. O que gera as crises também não são, por si sós, a ganância individual dos ricos e a corrupção, mesmo que endémica. A sociedade consegue integrar e até limites muito dilatados estes fenómenos. As causas são mais profundas e alargadas do que aquelas.
As crises resultam com certeza do agravamento unilateral das relações de força entre patrões e trabalhadores mas também de outros factores não menos importantes quais sejam o desemprego de longa duração, os regimes fiscais, a deficiente tutela da propriedade em todos os seus aspectos, a lentidão da justiça, a descredibilização dos serviços públicos, o ensino de fraca qualidade, a má formação profissional, o emprego desqualificado e barato, entre tantos outros factores.
Quando aqueles factores se avolumam o nível de vida da maioria estagna quando não desce e ganha alento a convicção segundo a qual o trabalho não compensa porque as dificuldades batem à porta seja como for e a qualificação profissional não é recompensada porque a expansão........
