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Liberalismo e conservadorismo

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16.08.2026

 1 Há para aí alguma confusão entre o liberalismo e o conservadorismo. Para a esquerda é tudo a mesma coisa. Mal, evidentemente.

    O liberalismo é uma ideologia. O conservadorismo não é: é uma atitude. Uma atitude crítica. O liberalismo é o herdeiro de uma visão racional do homem baseada na doutrina cristã da personalidade com raízes clássicas e medievais, e mais tarde no racionalismo iluminista.  Mas para os tratadistas medievais a liberdade ainda não era um pressuposto. Só a razão é que era. O homem era um ser imperfeito, manchado pelo pecado original mas dispunha, apesar de tudo, da razão natural para compreender qual o seu papel dentro do estatuto que dele era próprio assim se acomodando em vista da paz e da salvação. Com o Iiluminismo a razão já não visava a adequação às coisas já criadas, mas sim o proveitoso exercício dos direitos individuais. O homem está agora antes do Estado e o desenvolvimento da personalidade humana faz-se livremente por si próprio. No princípio estava a liberdade. O retrato de Descartes exprime bem isto. Aparece sozinho sobre fundo negro sem qualquer adereço. Apenas ele, o homem, ali está, e contempla o espectador como que lhe exigindo o mesmo. A liberdade é autodeterminação e serve para a realização concreta do homem conforme ele quisesse.

Cristianismo e racionalismo europeu complementam-se. O pensamento cristão, mesmo que nem sempre fiel à Igreja católica, soube sair mais tarde da mera contemplação bem como do indivíduo isolado, e içou a bandeira da solidariedade social. Ignorar a doutrina social da Igreja Católica é desonesto e corrupto. É isto a Europa.

2 O que tem o conservadorismo a ver com isto? Nada. O conservadorismo, como se disse, é uma atitude que nada fica a dever a uma conjunto de ideias auto-sustentáveis que se valorizam por si próprias e que remetem umas para as outras em circuito fechado à procura de uma harmonia interna, ou seja, não é uma ideologia. O conservadorismo fundamenta-se na experiência humana, aprende com a história, porque sabe que os homens não se modificam assim tanto e que em circunstâncias parecidas reagem sempre de modo não muito diferente. Desconfia, portanto, das revoluções, a não ser que sejam conservadoras, como a norte-americana, e não tem ilusões quanto à bondade dos arrivistas e dos visionários. É adepto........

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