Do espectáculo da política à política do espectáculo
1 É isto o que vivemos neste país. Os políticos fazem política? Não. Governam? Nem pensar. Não é para isso que se candidataram nem que foram eleitos.
Entendamo-nos. O eleitor é hoje o equivalente ao trabalhador que o marxismo identificou. O seu destino é eleger como, para o marxismo, era produzir. Em democracia política as opções do eleitor não faltam. É eleito aquele que mais lhe agrada, o que é perfeitamente legítimo. Com a eleição, transfere para o eleito um cabedal de legitimidade que logo este vai utilizar a seu favor. Se pagasse com a realização do que prometeu ao eleitos a troca estaria correcta. Mas não é isso que sucede. O eleito não faz nada do que prometeu porque não quer ou não pode. Assim sendo, beneficia de uma mais valia não paga que lhe foi atribuída pela eleição.
A questão começa aqui. O que é que o candidato vai oferecer ao eleitor? Numa democracia multipartidária como a que temos (finalmente) hoje, o que há para o convencer? Em sociedades de (relativa) abundância, a oferta do candidato a político não é fácil porque está sujeita a escrutínio. E mais difícil é porque a informação circula abundantemente, manipulada ou não, mas circula.
A única hipótese que o político tem é a de montar um espectáculo destinada a atrair o eleitor antes da eleição e a distraí-lo depois dela. O espectáculo nada tem a ver com a........
