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Giuseppe Baretti cinco anos depois do Terramoto

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07.11.2025

O escritor, crítico, tradutor e estudioso turinês Giuseppe Baretti (1719-1789), viaja na companhia de Edward Southwell, Barão de Clifford, futuro membro do Parlamento, para Lisboa a partir de Falmouth, no dia 31 agosto de 1760. Da viagem resultarão dois livros: Lettere Familiari di Giuseppe Baretti A’ Suoi Tre Fratelli Tornando da Londra in Italia nel 1760 (vol. I, 1762; vol. II, 1763) e A Journey from London to Genoa Through England, Portugal, Spain and France (Londres, 1770). Ainda que a obra inglesa se apresente como tradução da primeira, a diferença entre as Lettere e A Journey é considerável, tornando-as singulares. Não se trata de uma questão menor, pois, ao considerar o olhar de Baretti sobre Portugal, é preciso levar em conta que os dois textos, pensados para públicos nacionais diferentes, revelam, nos detalhes, os leitores e as suas expectativas. Profundo conhecedor da cultura inglesa e frequentador respeitado dos círculos de intelectuais da época, Baretti sabe que o que é apreciado em Itália nem sempre o é em Inglaterra.

Giuseppe Baretti (1719-1789)

Em ambos os textos, mais do que um guia objetivo e detalhado, Baretti faz um percurso emocional, uma viagem de descoberta de pensamentos pessoais, culturais, morais, existenciais e éticos. Colocado perante um mundo diferente do seu, estranho e extraordinário (no sentido positivo ou negativo), atento ao que lhe parece digno de registo, Baretti, com o uso do humor que tinha aprendido com os autores italianos da época, afasta-se frequentemente da convenção da literatura de viagem: privilegia a anedota, faz críticas, revela interesses e ideologias.

A curiosidade acerca de Lisboa devia ter sido certamente grande. A singularidade da tragédia de 1755 tinha sido motivo de notícias em toda a Europa: é o caso do relato detalhado publicado em Londres na revista The Gentleman’s Magazine and Historical Chronicle, de Edward Cave, em 6 de novembro de 1755, apenas cinco dias após o evento; sem esquecer as referências de Voltaire ao........

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