Nunca estivemos tão bem, convém lembrar
A história, com a sua obstinada teimosia, é o argumento mais sólido contra o populismo que se alimenta da amnésia coletiva, da agitação do presente e do esquecimento do passado. Esse discurso, que insiste em proclamar que Portugal “nunca esteve tão mal”, trata cada dificuldade como se fosse uma tragédia inédita. Mas os factos desmentem essa narrativa. Basta olhar para a vida dos portugueses nos últimos cinquenta anos para perceber que a retórica da decadência não resiste à prova da memória.
Em 1974, Portugal era ainda um país onde muitas aldeias permaneciam sem eletrificação, a precariedade habitacional era regra, a mortalidade infantil era elevada e a emigração, forçada. O salário médio, mesmo corrigido pela inflação e pelo custo de vida, apenas permitia uma sobrevivência austera. As viagens de avião eram para as elites, a escolaridade mal chegava ao ciclo preparatório, o acesso à universidade era um privilégio de poucos e a saúde era inexistente em largas faixas do território.
Cinquenta anos depois, o cenário é incomparável. O SNS, apesar das........
