Inteligência artificial no SNS: inovação que exige debate
A entrada da Sword Health no Serviço Nacional de Saúde (SNS), através de um modelo de fisioterapia remota apoiado por inteligência artificial (IA), foi recebida por muitos como um sinal de modernização e uma resposta necessária às dificuldades de acesso aos cuidados de reabilitação. As promessas são ambiciosas, redução dos tempos de espera, maior eficiência na utilização de recursos e diminuição dos custos para o Estado.
Num SNS pressionado pelo envelhecimento da população, pelo aumento das doenças crónicas e pela escassez de profissionais em várias áreas, é natural que a inovação tecnológica seja encarada com expectativa. Os tempos de espera para cuidados de fisioterapia continuam a ser excessivos e muitos utentes veem a sua condição funcional agravar-se enquanto aguardam resposta.
A tecnologia pode, e deve, fazer parte da solução. As ferramentas digitais têm potencial para melhorar o acesso aos cuidados, facilitar a monitorização à distância, aumentar a adesão aos tratamentos e apoiar a tomada de decisão clínica. A inteligência artificial pode identificar padrões, otimizar processos e libertar recursos para situações mais complexas.
Mas uma coisa é utilizar a tecnologia como instrumento de apoio ao exercício profissional. Outra, profundamente diferente, é permitir que a própria prestação de cuidados seja progressivamente redefinida........
