Ícaro sob o sol das audiências
No Portugal da década de 2020 arrisco-me a dizer que não será surpresa para ninguém que, à pergunta “qual é o interveniente político no ativo com maior presença mediática?”, haja uma concordante, senão unânime resposta.
Inicialmente, e para contextualizar o leitor quanto à minha tendência partidária ou potencial motivo por trás deste artigo de opinião, confesso que, enquanto consumidor ávido de política e semi-destro ideologicamente, não veria qualquer tipo de problema neste paradigma, não fosse a tremenda hipocrisia por parte dos próprios intervenientes mediáticos.
Não irei, primeiramente por respeito aos principais potenciadores do que concordam ser o inverno da democracia, mas também por considerar que o problema é transversal e universal salvo raras exceções, nomear qualquer estação televisiva ou órgão de comunicação português ao longo deste diagnóstico pessoal e independente, que em nada deverá espelhar a opinião de quem se não conforma com ela, seja a razão para isso qual for.
É então necessário aprofundar o estado dos media em Portugal e diagnosticar, em maior detalhe, as principais razões para esta profunda hipocrisia que me atrevo a apontar ainda no segundo parágrafo. Vamos a isso.
Antes de mais, é indubitavelmente inevitável que, tendo a comunicação social portuguesa encontrado um partido político que espelhe as mais polarizantes opiniões públicas e simplistas soluções para os complexos problemas que assolam este retângulo à........
