Entre o meu muro e as tuas asas
A primeira vez que me lembro de ouvir falar de generation gap foi algures pelos meus 15 anos, numa aula de inglês. O tema surgiu no manual, quase como um conceito académico, mas rapidamente se tornou pessoal. Falámos do que significava aquele fosso entre pais e filhos, entre autoridade e autonomia, entre tradição e mudança. Cada um de nós expôs o seu lado da questão, ainda com a ingenuidade própria da idade, mas já com convicção.
Recordo-me particularmente do paralelismo feito com The Wall, dos Pink Floyd. A metáfora do muro, construída tijolo a tijolo por um sistema educacional rígido, por normas sociais opressivas, pela autoridade muitas vezes inflexível dos pais. Reclamávamos mais liberdade, mais autonomia, menos dependência dos humores e decisões alheias.
No meu caso, nunca esteve em causa o reconhecimento da autoridade dos meus pais. Reconhecia-a. O que reclamava era mais espaço para agir e pensar por mim. Mais autonomia em conformidade com os meus direitos e com os meus deveres. Nunca confundi liberdade com ausência de responsabilidade. Queria voz, não vazio.
Passaram mais de trinta e cinco anos. Hoje estou do outro lado do muro. A minha filha tem onze anos. Ainda não há........
