Se os Homens lessem, não tinham tempo para a Guerra
Em Diário de um Homem Supérfluo, de Turguéniev, o desesperançado, nostálgico e à beira da morte Tchulkatúrin, inundado pelo peso dos seus trinta anos de inútil existência, interroga-se sobre a passagem do tempo e solta uma verdade estranha, daquelas que nos pára enquanto está a ser lida: “Enquanto uma pessoa vive, não sente a sua própria vida: como um som, ela torna-se-lhe inteligível algum tempo depois.”
Nos melhores livros, a cabeça viaja, simultaneamente para perto e para longe das palavras. Para longe, porque a partir do momento em que as lemos, elas deixam de poder estar circunscritas àquela realidade, é preciso que as adaptemos às nossas vidas, que as usemos em nosso proveito para nos sentirmos menos sozinhos no mundo, para que o possamos compreender. Para perto, quando queremos regressar-lhes, quando o peso da nossa realidade se torna........
