Onde andam as obras de arte que nos alimentam a alma?
Onde andam as obras de arte que nos alimentam a alma? Talvez o meu leitor/a também já tenha feito esta questão a si próprio/a, principalmente em momentos de maior desesperança e saudosismo em relação ao passado. É que o passado é sempre mais apetitoso aos sentidos, talvez por isso mesmo, por ter deixado de existir. Nada consegue competir com a memória que guardamos das coisas irrepetíveis. Mas se o leitor/a ainda tem uma réstia de esperança no presente, hoje posso falar de um desses momentos em que nem sentimos falta do que se fazia no passado, de um daqueles momentos despidos de expectativa, em que se entra numa sala de cinema ou se vira a primeira página de um livro, sem deles nada esperar e, de repente, damos por nós inebriados, e aquela história já é nossa, ou então fomos nós que nos deixámos tomar por ela.
Rainer Maria Rilke, nas suas Cartas a um Jovem Poeta, aconselha-nos a fugir da crítica: “Não há nada menos apropriado para tocar numa obra de arte do que a linguagem crítica, na qual tudo se reduz........
