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#PéAntePé

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17.08.2026

Pode parecer estranho, mas a verdade é que tenho por esta extremidade tão esquecida, e em particular pela sua versão no feminino, um fetiche que aos meus olhos dispensa justificações. Admiro o pé feminino, em particular se longo, magro e cinzelado. Um pé assim é altivo, vistoso, eleva qualquer corpo e enobrece quem nele se apoie.

Sempre que me é permitido, passo horas de olhar pousado nas suas linhas, no curvilíneo das sinuosidades plenas de mistérios. Calçados, descalços ou pelo próprio pé, a todos aquilato na beleza simples das formas.

Abomino vê-los tatuados, pintados de vermelho paixão ou, pior ainda, com um dissonante negro gótico. Um pé com personalidade não necessita nem depende de tais adornos. Um bonito pé longo, magro tem personalidade própria. Um pé assim, altivo e esguio sempre foi, na antiguidade clássica, no romantismo oitocentista, ou na atualidade o símbolo de um garbo aristocrático.

John Godward, pintor vitoriano, registava as figuras femininas em ambientes clássicos, adornados de tapeçarias, tecidos e mármores. Nos seus quadros, os pés femininos surgem quase sempre nus e são-nos devolvidos com minúcia igual à que dedicava a mãos, rosto e enquadramento. Nas suas obras, o pé nunca é apenas uma extremidade anatómica, é um elemento de elegância, serenidade e equilíbrio. E esse é o pé que me fascina.

Admiro-os nos bailarinos, e em particular as versões femininas saídas da palete de Degas. Admiro-os pela altivez e destreza, e arrebata-me a firmeza e precisão com que movem os corpos esculpidos. Seduz-me a harmonia, a geometria e uma fluidez, só........

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