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O Parlamento Europeu é um tigre de papel

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21.09.2026

Na quinta-feira passada, 17 de Setembro, pela hora de almoço, recebi por correio electrónico a informação oficial do Parlamento Europeu relativamente às candidaturas ao Prémio Sakharov 2026. Foi um enorme desapontamento. Das seis candidaturas apresentadas não consta o nome do guineense Domingos Simões Pereira, sobre que existia uma forte expectativa, de várias pessoas – entre as quais eu próprio.

Considerava, na verdade, e continuo a considerar que:

1. Domingos Simões Pereira tinha merecimento mais do que suficiente para ser apresentado ao Prémio Sakharov 2026;

2. A sua candidatura era particularmente oportuna face ao golpismo antidemocrático que se desenvolve na Guiné-Bissau, desde há anos, e se agravou muito desde Novembro passado;

3. A sua apresentação e a sua escolha eventual como laureado teriam certamente forte efeito positivo no terreno, moralizando e encorajando os cidadãos e fazendo recuar os golpistas.

O afastamento da candidatura de Domingos Simões Pereira envergonha e desonra o Parlamento Europeu. O Prémio Sakharov foi uma área em que trabalhei muito quando estive no Parlamento Europeu e sei do que falo. Não se desperdiça uma oportunidade destas para, num quadro de crise em desenvolvimento, afirmar e proteger a democracia e a liberdade, ajudando a justiça a vencer. O caso específico da Guiné-Bissau era um caso ao alcance das forças e dos instrumentos do Parlamento Europeu. Assim, o parlamento e aqueles que o domaram vão ser responsáveis pela contínua deterioração da situação na Guiné até 6 de Dezembro e depois deste dia, até à autocracia final.

Para os que gostam de considerar que o Parlamento Europeu tem um pensamento, lembremos o que publicou em Dezembro passado, em moção aprovada. Denunciou que “em 26 de Novembro de 2025, um grupo de militares, liderado pelo general Horta N’Tam, tomou o poder pela força, suspendendo ilegalmente o processo eleitoral nas vésperas do anúncio oficial dos resultados eleitorais”, havendo “graves acusações de que o golpe de Estado fora orquestrado [entre o líder do golpe de Estado e o presidente em exercício, Umaro Sissoco Embaló] para evitar uma derrota eleitoral” nas eleições de 23 de Novembro. Condenou “inequivocamente a tomada do poder pelos militares em 26 de novembro de 2025 e a interrupção do processo eleitoral”, rejeitou “a mudança inconstitucional de poder” e preconizou “o........

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