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Libertem Domingos!

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Em 2014, participei numa iniciativa política inédita. Aproximavam-se eleições legislativas em São Tomé e Príncipe. Patrice Trovoada era candidato, à frente do seu partido ADI, depois de, em 2012, um seu governo ter sido derrubado por uma moção de censura. Em 2014, com eleições no horizonte, corriam ameaças contra ele movidas por adversários políticos no poder. Diziam que seria preso, se tentasse voltar do exílio voluntário em que estava há dois anos. O Ministério Público vinha apertando de modo suspeito e, já próximo das eleições, o ministro da Defesa declarou: se aterrasse em São Tomé, Patrice seria preso.

Patrice Trovoada tinha apoios em Portugal. Um deles era o meu colega e amigo Ricardo Sá Fernandes, que preparava um processo na justiça internacional. É no contexto da defesa dos direitos de Patrice e do seu partido, que aceito integrar a missão de quatro deputados portugueses (dois do PS, um do PSD e eu próprio, do CDS) que o acompanharam no regresso a São Tomé, assegurando que não seria cometida violência contra si. O regresso acabaria por acontecer sem problemas. Foi até triunfal, com ida directa do aeroporto até um comício no centro da cidade. Ao fim de um ou dois dias, viemos embora. Nas eleições, a ADI ganhou com maioria absoluta e o governo liderado por Patrice Trovoada governou quatro anos, Não mais, porque as coisas não correram tão bem quanto se pensara.

São Tomé e Príncipe vai ter, de novo, eleições neste próximo domingo – agora, presidenciais. Aconteça o que acontecer, ganhe quem ganhar, as eleições de 2026 não vão ser roubadas e ninguém vai ser preso. Graças a Deus, em São Tomé e Príncipe, candidatos e eleitores concorrem e votam em liberdade, os votos não são manipulados e os vencedores não vão presos, por terem ganho, mas ocupam os lugares para que são eleitos. São Tomé e Príncipe, na verdade, não é a Guiné-Bissau, moralmente desfigurada ao limite e politicamente destruída nos últimos anos.

De modo inimaginável, Umaro Sissoco Embaló, em 26 de Novembro de 2025, urdiu um “autogolpe” espectacular, autoderrubando-se do poder presidencial e armando uma farsa para impedir a conclusão da contagem dos votos das eleições de 23 de Novembro, que já sabia que ia perder – apesar de todas as grosseiras ilegalidades sucessivas que cometera para garantir que ganharia.  No clima de choque internacional provocada por esta golpada, Patrice Trovoada foi designado Enviado Especial da União Africana para acompanhar a grave crise aberta na Guiné-Bissau.

Esta crise tem como um dos seus elementos mais........

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