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New Woke Trends: objeção de consciência tributária

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19.04.2026

Não são os impostos1 uma coisa boa? Parece que sim, porque permitem tirar2 legalmente às ricas3 o que elas ganham através da exploração capitalista4. E também porque financiam os serviços públicos, dos transportes à educação, tão necessários a tornar a vida menos penosa a quem recebe salários5 de miséria6,7. E de onde vem o dinheiro para subsídios de inclusão social, e afins, pagos às sistemicamente excluídas por iníquas estruturas socioeconómicas, para deste modo se obter um pouco mais equidade8? Dos impostos, claro, embora note-se que, quer serviços públicos quer subsídios, também podem ser perfeitamente financiados através da dívida pública. Impostos são, pois, sinónimo de justiça e solidariedade.

Assim era natural que, até muito recentemente, “quanto mais impostos melhor” fosse um artigo de fé de toda verdadeira warxista9, fosse ela comunista ortodoxa ou socialista woke. Era! Not anymore. As hostes progressistas acabaram de descobrir que pagar impostos pode ser moralmente objecionável. Nina D’Andrade, noticia o New York Times, pergunta-se se “poderia recusar a pagar impostos de modo a protestar os excessos e abusos do ICE”. E Eileen O’Farrell Smith, reporta o mesmo pasquim, interroga-se: “Como posso eu pagar impostos quando não quero pagar coisas que abomino, negligenciando aquilo a que dou importância?” O NYT esclarece o que a sra. Smith abomina & objeta pagar são os campos de detenção de imigrantes e a guerra dos EUA contra o Irão. E atribui-lhe a seguinte questão: “Não existe um programa de objeção de consciência tributária?” 10

A resposta do dito periódico a esta questão é que, infelizmente, e ao contrário do que se aplica ao imposto de sangue, vulgo “serviço militar obrigatório”, a objeção de consciência tributária ainda não foi legalmente reconhecida. No entanto há esperança11: tal como os protestos nos anos 60 levaram ao alargamento da objeção de consciência a crenças religiosas12 não tradicionais13 (United States v. Seeger, 1965) é possível que a repulsa causada pelas políticas que o sr. Presidente Trump executa com o dinheiro dos impostos (e divida pública) do povo americano leve às necessárias reformas de mentalidade e que estas abram caminho para que, num futuro próximo, a objeção de consciência tributária seja reconhecida legalmente. Entretanto, e enquanto várias organizações, como o National War Tax Resistance Coordinating Committe, organizam a luta para obter o reconhecimento legal desse direito fundamental, o New York Times apresenta três modos de resistência cívica à violência tributária com que os poderes estatais oprimem o povo.

O primeiro, classificado pelo periódico como “o mais extremo, mas perfeitamente legal” é extremamente simples: encontrar trabalho que permita ganhar menos que as várias deduções aplicáveis ao rendimento pessoal (US$15750 por ano nos EUA em 2025). Deste modo não se pagam impostos sobre o rendimento e pode-se viver em paz com a consciência, argumenta o jornal. Parece, no entanto, que este tipo de resistência peca pela moderação, não pelo extremismo. Algo mais radical afigura-se exequível, fácil e rentável: deixar de trabalhar completamente e requerer os vários rendimentos de inserção e subsídios de inatividade aplicáveis. Deste modo, não só não se contribuiu um centavo sequer para os cofres do estado, como até se reduz um pouco o que está disponível para todas as suas atividades imorais14 e, last but not the least, fica-se com tempo livre para hobbies como o ativismo de rua. O segundo e terceiro modos de resistência publicitados pelo NYT, embora de um valor ético inquestionável, não serão aqui apresentados porque........

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