A Trincheira dos mal-entendidos
Trump, se queria atacar o velho (desde a queda do xá) inimigo Irão, e ao mesmo tempo dar uma mão ao amigo Netanyahu, o que tinha a fazer era falar com a NATO, a liderança da UE, os principais países europeus e o Presidente do Conselho de Segurança da ONU para efeito da sua convocação, e a todos informar que tinha a intenção de decapitar a liderança aiatolica, desde que o Congresso o autorizasse a declarar guerra ao Irão.
O regime iraniano esperaria com paciência e ansiedade o desenlace destas diligências, com a secreta esperança de que na ONU a coisa encalhasse nos vetos da China e da Rússia; no Reino Unido Keir Starmer declarasse um apoio menos do que entusiástico por causa da opinião pública, (que, mesmo quando professa um grande horror ao regime iraniano, tem um ainda maior a Israel); na França Macron discursasse com solenidade que a Marinha estacionaria em Chipre, daí prestando o maior apoio; e Friedrich Merz confessasse algumas reservas, lembrando que a Europa em geral precisa desesperadamente de petróleo importado porque, tendo encerrado centrais nucleares e a carvão, e não permitindo prospecções no seu solo, nem autorizando o fracking, depende de importações cujo preço, subindo prodigiosamente, iria fatalmente gerar uma crise e criar inflação.
Isto nesses grandes países. Nos outros (não que interessem muito para o caso) o apoio variaria entre os amigos de Trump, os inimigos e os dois países da Ibéria. Destes últimos um estaria frontalmente contra, deixando os Americanos utilizar as suas bases, e o outro não estaria contra, e aliás também não completamente a favor, ou não se sabe bem nem faz diferença porque a autorização para usar as Lages está garantida.
Entre nós o preço do petróleo não causa grandes estragos nos arranjos políticos porque de algumas coisas temos a certeza: a guerra não é connosco, o Irão não sabemos bem onde fica e nem sequer é um destino de férias, e se o preço do petróleo nos estragar a vida, que aliás já não está muito bem, resta-nos o ódio a Trump e a resignação, da qual temos grande prática.
Para este ódio de........
