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Caos em Ceuta. Todas as escolhas políticas têm consequências

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03.08.2026

Suspeito que na discussão de temas como imigração e segurança das fronteiras haverá um antes e um depois das imagens da maré humana a invadir Ceuta. Tal como, mas no que respeita aos refugiados, houve um antes e um depois das imagens de um menino sírio deitado de bruços, sem vida, numa praia da Turquia. Onze anos separam estes dois momentos, o Mediterrâneo inteiro também, mas há uma coisa que os une: a Europa continua a ser o destino de milhares, de milhões de migrantes e, nessa mesma Europa, a experiência destes anos fará com que em 2026 não se repitam alguns dos gestos de 2015, designadamente os braços abertos de Angela Merkel. A carta de 22 líderes europeus a distanciarem-se de Pedro Sánchez e das suas políticas permissivas é disso exemplo, e só se lamenta que o nosso primeiro-ministro não se tenha juntado à lista.

Não tenhamos nem criemos ilusões: Marrocos pode ter deixado que aquela maré humana se formasse, Marrocos pode ter visto que estava a acontecer e não ter avisado Espanha, Marrocos pode até ter muitas razões para querer enviar um recado político para Madrid, mas não foi o reino alauita que organizou a enchente, não se tratou de uma espécie de nova “marcha verde”. Da mesma forma que nenhuma máfia tem poder suficiente para levar de repente 60 mil jovens a lançarem-se à água para nadarem até Ceuta, como alegou o primeiro-ministro espanhol.

(Já agora: só mentes delirantes, politicamente doentes, como as dos parceiros de coligação de Sánchez, fanáticos de extrema-esquerda, é que conseguiriam ver naqueles bandos de miúdos com camisolas do Messi e de Ronaldo a mão de Israel…)

Não tapemos também o sol com uma peneira: o que trouxe tanta gente tão depressa àquela baía foi a percepção de que Espanha é hoje o mais permissivo dos países europeus no que respeita a políticas de imigração, foi a esperança de que, colocado um pé em solo espanhol, meio caminho estaria andado para um dia se conseguir aquilo que Pedro Sánchez ofereceu este ano mesmo, mais um processo excepcional de regularização de imigrantes........

© Observador