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Quando falta análise, sai um lobby judaico para a mesa

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23.03.2026

No passado dia 18 de Março, na Rádio Observador, Campos e Cunha, professor de Economia e ex-ministro das Finanças, dizia, com notável tranquilidade, que esta guerra com o Irão era dirigida pelo “lobby judaico”. À tarde, na CNN Portugal, Azeredo Lopes, disse exactamente a mesma coisa, com palavras mais polidas e disfarçadas. Nos EUA, o Sr. John Kent demitiu-se do seu cargo na Administração , com exactamente a mesma justificação. Há dias, o Viriato Soromenho Marques, tinha dito a mesma coisa.

Estamos pois perante a repetição deliberada de um clássico tropo antissemita, agora vestido de gravata. Esta forma  muito particular de estupidez gosta de passar por lucidez. Não grita, não espuma, não aparece com a iconografia inconveniente do século XX. Fala pausadamente, veste-se bem, adopta um ar fatigado de quem já viu tudo, e explica-nos, com verniz de especialista da geopolítica, que os EUA não fazem o que fazem por cálculo estratégico, por interesses próprios, por doutrina de segurança, por disputa de poder, por defesa de rotas marítimas, por contenção regional ou por simples leitura da realidade. Não. Fazem-no por causa do “lobby judaico”.

Assim de simples. Séculos de propaganda antissemita, toneladas de lixo ideológico, pogroms, panfletos, caricaturas, os Protocolos dos Sábios de Sião, o Mein Kampf, a velha fantasia da omnipotente cabala hebraica, tudo isso está a outra vez a fervilhar no caldeirão. Fez um curso de reciclagem, meteu botox e reapareceu nos estúdios de televisão, nas rádios e nos jornais com ar de tese ousada e perfume de “realismo”.

Já não diz, evidentemente, que “os judeus mandam no mundo”. Isso soaria grosseiro, plebeu, comprometedor. Agora fala do “lobby”. Ou de  “certos interesses”. Ou  de “determinados círculos de influência”. Ou “da pressão israelita sobre Washington”. É a mesma prostituta, com vestido Versace e colar de pérolas.

Quando três professores universitários cá do burgo se juntam a Kent, Adolfo Hitler, Nick Fuentes, Tucker Carlson, Mershmaier, e muitos outros, e  resolvem  sugerir que a política americana no Médio Oriente é ditada por uma espécie de directório judaico, estão  a reciclar um preconceito, e emprestar verniz institucional a um libelo antigo, ordinário e perigosíssimo. O mais........

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