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O fantástico acordo nuclear de Obama

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27.05.2026

Andam pelas televisões numerosos especialistas de lagares de azeite a explicar-nos, com a solenidade do disparate, que o JCPOA (Acordo Obama)  era uma obra-prima diplomática, que Obama foi um visionário e que Trump só o denunciou por despeito.

A profecia seguinte, embrulhada no mesmo papel de fantasia desejante, é que Trump será obrigado a assinar um acordo pior.

No fundo, é como se o problema tivesse sido a vaidade de Trump, e não a natureza profundamente defeituosa de um acordo que dava ao Irão dinheiro, legitimidade, tempo e um caminho calendarizado para regressar ao objectivo de eliminar a “entidade sionista”.

Ora isto é mero catecismo e dos maus. É dizer que qualquer acordo é melhor do que nenhum, desde que seja assinado por pessoas suficientemente elegantes, sorridentes e engravatadas.

A verdade é que o Acordo Obama não desmontou a ameaça. Limitou-se a etiquetá-la, adiá-la e, de caminho, financiou o regime. Voaram, literalmente, aviões dos EUA para Teerão, carregados de notas de dólar.

Há acordos maus porque não funcionam. E há acordos  perigosos, que são maus precisamente porque funcionam durante algum tempo. O Acordo Obama, assinado em 2015, é o exemplo perfeito. Funcionava suficientemente bem para apaziguar ansiedades,  animar comentadores engajados e permitir a Obama vender ao mundo uma vitória diplomática que justificasse à posteriori o esperançoso Nobel da Paz.  O único problema é que era apenas uma bomba com retardador e não resolvia o problema nuclear iraniano.

Convém começar pelo óbvio: o acordo limitou temporariamente o programa nuclear iraniano. Reduziu o stock de urânio enriquecido, travou o enriquecimento acima de 3,67%, limitou o Irão a cerca de 300 kg de urânio enriquecido e restringiu durante dez anos a operação de centrifugadoras em Natanz. A instalação subterrânea de Fordow, construída sub-repticiamente, não podia enriquecer urânio durante 15 anos. Tudo isto estava lá escrito, tudo isto era largamente duvidoso,  e tudo isto  comprava tempo.

Mas comprar tempo não é o mesmo que resolver uma ameaça. Na melhor das hipóteses é prudência, na pior é táctica de avestruz.

Os defensores do Acordo diziam que a peça aumentava o tempo necessário para produzir material físsil suficiente para uma arma e Obama vendeu-o exactamente  nesses termos. Só que aumentar o tempo necessário para chegar à bomba, não eliminava a capacidade, não desmontava a infraestrutura, não punha fim à ambição, não resolvia o problema. Empurrava-o para a frente com  a barriga, como um mau pai que deixa as dívidas para os filhos pagarem.

Em troca de quê? De legitimidade internacional, alívio........

© Observador