menu_open Columnists
We use cookies to provide some features and experiences in QOSHE

More information  .  Close

Não é a nossa guerra?

43 0
30.03.2026

O Ministro da Defesa da Alemanha, reiterou a ideia de que a guerra no Irão, “não é a nossa guerra”.

Parece uma frase prudente, sensata e madura, afinal o Irão não é na Europa. Mas na verdade  é apenas uma forma elegante de justificar a  rendição mental, e a recusa de agir.

O problema começa muito antes, numa disposição cognitiva  dos países europeus,  hoje transformada em catecismo. A  convicção de que o uso da força representa, por definição, um mal e si, e tudo se pode resolver com diálogo e moderação. A tese parece nobre, e por isso seduz. Mas, examinada de perto, é apenas  uma necessidade psicológica. Consola-nos do mundo, mas não o descreve. Como todas as ilusões reconfortantes, resiste ferozmente aos factos.

Quando o Irão contradiz, pelos seus actos, esta ilusão,  a mente europeia,  em vez de rectificar  o diagnóstico, corrige a realidade. Reescreve o que o Irão faz. Mesmo quando os aiatolas fazem exactamente o que dizem; mesmo quando o regime diz exactamente o que quer,  em slogans, leis, mísseis e sangue; mesmo quando o povo iraniano se levanta e grita, à sua maneira, que o problema não é um mal-entendido diplomático mas uma tirania impiedosa e fanática.  Ainda assim, a reacção reflexa de boa parte das elites ocidentais  é falar por cima e reinterpretar. Ah, eles  não querem realmente dizer isso, há moderados a emergir, desta vez será diferente.

Mas eles querem realmente dizer o que dizem, não há “moderados” a brotar do sistema e nada será diferente do que tem sido.

Desde 1979, o regime iraniano tem dito explicita e repetidamente  ao que vem. Jurou destruir os EUA e Israel. Fez da hostilidade um programa, da intimidação uma linguagem e de exportação do terrorismo uma estrutura de poder. Em 2023, Khamenei explicou, com todas as letras,  que o acordo nuclear de Obama fora apenas uma táctica, e que o regime nunca tencionara honrá-lo. Disse-o com a naturalidade de quem confessa a mentira e espera, não o descrédito, mas nova rodada de conversações. E obteve-a. O mundo ouviu a confissão e marcou outra reunião. Há ingenuidades que, ao fim de várias décadas já não merecem esse nome.

A frase  “não é a nossa guerra”,  só se torna possível neste ambiente moral de evasão.

Não é a nossa guerra? Pois não. É apenas a nossa energia, o nosso comércio, a nossa segurança, os nossos aliados e o nosso futuro. O estreito de Ormuz, por onde passa uma fatia colossal da energia mundial, não será livre por milagre geográfico. O Bab........

© Observador