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A Divina vitória do Irão nos estúdios de televisão

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13.04.2026

Durante semanas, Israel e os EUA esmurraram militarmente o regime iraniano até este aceitar um cessar-fogo provisório, precário, condicional, com aroma intervalo táctico. Mas em numerosos painéis a República Islâmica está a dar uma espantosa lição aos aliados israelitas e americanos

Convém começar pelo elementar, que hoje parece ausente nestes areópagos televisivos: se Teerão estava a ganhar, porque aceitou falar com o Grande Satã?

Um vencedor não vai conversar a Islamabad entre discordias de personalidades do regime, enquanto a sua margem de manobra estratégica encolhe a cada dia. O cessar-fogo prova, não a força do Irão, mas que a continuação da guerra lhe parecia pior.

Há pois que separar propaganda de realidade. O Irão está nesta  guerra com o estatuto de  sobrevivente. Mas sobreviver não é vencer. Os ataques iranianos com mísseis e drones caíram cerca de 90% desde o início da guerra, foram danificadas ou destruídas dois terços das instalações de produção ligadas a mísseis, drones e meios navais; foram atingidos dezenas de milhares de alvos militares e afundada quase toda a marinha iraniana. Não houve aniquilação total, mas muitos menos a gloriosa resistência estratégica que certos sacerdotes da nuance andam a vender na praça pública. A degradação da capacidade militar  foi incompleta, mas severa.

Israel logrou, até agora, uma redução concreta da ameaça futura. Não a eliminou, porque guerras reais não se resolvem com passes de mágica,  e o inimigo continua a ter meios, homens e vontade. Sobretudo vontade. Mas reduziu-lhe a liberdade de acção. Os lançadores balísticos são mais difíceis de repor do que muita gente imagina e o simples facto de o Irão não conseguir disparar grandes salvas mostra que a sua capacidade utilizável encolheu. O erro de concentrar meios em instalações subterrâneas profundas permitiu aos EUA e a Israel manter vigilância persistente sobre esses locais, tornando muitos desses sistemas  inúteis

Os EUA, apesar de não saírem imaculados, conseguiram impor custos pesadíssimos ao regime, forçaram-no a aceitar tréguas, mantêm a iniciativa coerciva e várias opções em aberto,  e levaram Teerão a admitir a  entrega do stock de 400 kg  de urânio enriquecido a 60%, que poderia dar para cerca de dez bombas. Por outras palavras,  Washington não derrotou ainda o regime, mas ganhou uma posição de força negocial que simplesmente não existiria sem o castigo militar. Agora ameaça um........

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