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“Quero que alguém acredite em mim”, dizem-me os doentes

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24.08.2026

Em Portugal existe uma ideia estranha: a de que sofrer faz parte da vida. É da idade. É das costas. É dos joelhos. É “dos nervos”. Como se a dor crónica fosse um destino inevitável e não uma doença prevenível, rastreável e tratável. Talvez, por isso, muitas pessoas aprendam a viver em silêncio. Chegam à consulta com o seu médico de família e falam da hipertensão, da diabetes, do colesterol e de uma miríade de outros problemas de saúde. Mas a dor fica para o fim, quase como um pedido de desculpa. Habitualmente, com frases como “Já agora, doutor…”, “Se ainda houver tempo…” ou “Se calhar isto é normal na minha idade, mas…”.

Há muito que o fado de sofrer deixou de fazer sentido. E, no entanto, continuamos, demasiadas vezes, a aceitá-lo como “normal”. A dor crónica é uma das doenças crónicas mais prevalentes e incapacitantes do mundo. Rouba autonomia, limita relações, condiciona o trabalho, destrói o sono, aumenta o risco de ansiedade e depressão e compromete profundamente a qualidade de vida.

Ainda assim, continua a ser uma das doenças mais invisíveis. Sim, uma doença. Porque continua tão invisível? Talvez porque não se mede como a pressão arterial ou a glicemia. Ou porque nem sempre aparece numa radiografia ou numa ressonância magnética. Mas o sofrimento existe. E quem vive com dor sabe-o melhor do que ninguém, já que convive diariamente com essa companheira silenciosa e........

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