Uma enorme vitória de André Ventura
A ambiguidade estratégica que Luís Montenegro adoptou para, primeiro, ser eleito e, depois, navegar os seus mandatos como primeiro-ministro — optando por acordos pontuais com o PS e com o Chega — sofreu uma mudança estrutural com o episódio do Código Laboral. Quando se escrever a história desta legislatura, creio que aquele dia ficará marcado como o antes e o depois na relação entre o PSD e o Chega. André Ventura surpreendeu tudo e todos, incluindo uma bela parte da sua própria bancada, que, chamada a votar contra, permaneceu inicialmente sentada. Só quando percebeu que Ventura, Pedro Pinto e Rita Matias se haviam levantado é que as segundas linhas da bancada os seguiram.
Nesse dia, Ventura mostrou — para quem ainda tivesse dúvidas — que não é um parceiro confiável. A sua relação com o PSD mudou. É difícil imaginar que a liderança social-democrata volte a confiar em Ventura como parceiro para a aprovação de um Orçamento do Estado, sob pena de ser novamente humilhada em pleno plenário. Na semana seguinte ao falhanço do Código Laboral, o PSD precisava de aprovar a Prestação Social Única. Não querendo correr riscos — sobretudo o risco reputacional de surgir associado a um Governo imobilista, com a sua capacidade de iniciativa política bloqueada — o partido virou-se para os........
