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A questão alemã

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23.09.2026

A Alemanha vive o momento mais complexo desde o final da Guerra, incluindo os momentos de ajuste de contas nacionais como os julgamentos de Frankfurt, a fúria terrorista dos anos 70 e a reunificação. Neste momento o país enfrenta uma tempestade perfeita que põe em causa o seu modelo económico e social. O interesse para Portugal é óbvio: uma crise existencial na Alemanha tornar-se-á rapidamente uma crise da própria União Europeia, especialmente num momento em que o destino político de França é altamente imprevisível.

Em primeiro lugar, a Alemanha está neste momento a viver o seu choque chinês. Em 2001, quando a China entrou para a Organização Mundial do Comércio, a já de si pequena base industrial da periferia da Europa foi dizimada. A indústria alemã, pelo contrário, floresceu, uma vez que era um complemento quase perfeito ao mercado chinês, vendendo químicos, máquinas sofisticadas e carros. Hoje, passados 25 anos, a China está a dizimar a indústria alemã. Nos automóveis, por exemplo, a indústria alemã ainda consegue ser competitiva graças às tarifas – sim, tarifas, a Europa também sabe jogar sujo quando está desesperada – impostas aos carros chineses.

Em segundo lugar, a invasão da Ucrânia pôs em causa a ligação histórica que as elites alemãs tinham à Rússia, assim como a estratégia que desenvolveram durante décadas de controlar o gigante do leste através da integração económica. A consequência mais imediata foi o fim do gás barato, o que agudizou ainda mais as dificuldades económicas trazidas pelo choque chinês. A invasão russa aconteceu em cima de um verdadeiro tiro no pé que Merkel deu de forma completamente irracional e sem pesar as consequências de longo prazo: o fim da energia nuclear. Em 2011, quando o tremor de terra abalou Fukushima, Merkel decidiu, quase do dia para a........

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