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Santos Pereira e Centeno unidos pela imigração "fixe"

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19.04.2026

É uma tentação recorrente em Portugal: agarrar num número grande, envolvê-lo, dar-lhe uma roupagem técnica e declará-lo en passant como prova definitiva de uma tese política. O último Boletim Económico de Março do Banco de Portugal, onde aborda como tema em destaque a “caraterização da permanência dos trabalhadores estrangeiros em Portugal”, faz de forma elegante exatamente isso, ao sugerir com base nos dados da Segurança Social, que a imigração tem sido um pilar relevante do mercado de trabalho e, por extensão, das finanças públicas, insinuando até que o reagrupamento familiar poderá desempenhar um papel importante na retenção desses trabalhadores, sem sombra de dúvidas.

Segundo a Pordata, os dados de 2025 indicam que Portugal terá cerca de 10,75 milhões de habitantes e os dados administrativos mais recentes apontam para cerca de 1,5 milhões de cidadãos estrangeiros residentes no nosso país, fazendo com que mais de 14% da população seja hoje estrangeira, que é um valor histórico para um país que, durante décadas, foi essencialmente emissor de população. Temos por isso a obrigação de contabilizarmos quantos entram no nosso país assim como também a obrigação de processar quantos de nós saíram para outras paragens à procura de melhor vida, tal como o Álvaro fez e o Mário assim também o desejava, já depois de ter assegurado a sua reforma milionária, ainda que antecipada.

Entre 2013 e 2023, Portugal registou a saída acumulada de mais de 1 milhão de emigrantes, muitos deles jovens em idade ativa e com níveis de qualificação acima da média, e que Deus sabe quanto custaram ao país formar e que ao Estado, pelos vistos, pouco ou nada interessa avaliar. Em vários anos desse período, a saída líquida anual ultrapassou as 80 a 100 mil pessoas, caso contrário Portugal hoje, poderia ser um território com mais de 12 milhões de habitantes.

Em termos históricos, há apenas um período comparável: o da grande vaga de emigração entre 1950 e 1974. Nesse........

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