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Porque não querem compreender Trump

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18.06.2026

Porque é que os comentadores dos media regimentais europeus e americanos não conseguem compreender o que Donald Trump está verdadeiramente a fazer? Não é incompetência e muito menos o caos anunciado, nem a excêntrica imprevisibilidade de um populista sem bússola.

O que Donald John Trump está a fazer é a dar baile. É estratégia, e é muito antiga e americana até à medula, que os analistas não reconhecem porque nunca a estudaram pois a narrativa nunca foi deliberadamente ensinada.

A estratégia tem nome e chama-se de Sistema Americano. E tem um pedigree que vai até à sua fundação como nação: Alexander Hamilton e Henry Clay garantiram a Independência económica Americana do inimigo inglês, exemplarmente replicado 100 anos depois por Lincoln e que lhe permitiu garantir a integridade territorial americana com a vitória sobre os separatistas apoiados por Londres e finalmente exponencialmente expandida por William McKinley que transformou a América no verdadeiro colosso industrial e financeiro no final do século XIX. Com este sistema emergiram os Elon Musk e Jeff Bezos da altura em Thomas Edison, George Westinghouse e Nikola Tesla. Homens ilustres que construíram e consolidaram os alicerces da maior potência industrial da história. Homens convenientemente esquecidos quando, a partir dos anos 1970 e com aceleração nos anos 1990, Washington decidiu que a América tinha feito o suficiente e que o futuro era a globalização gerida pelos serviços financeiros de Wall Street e pelos contratos de outsourcing com o Partido Comunista Chinês.

Isso é exatamente o modelo que Trump está agora a demolir. E os comentadores, em Lisboa, em Paris, em Berlim, em Bruxelas, e um pouco por todo o lado não conseguem sequer descrever corretamente o que estão a ver.

Os números, que os comentadores nem procuram saber: No primeiro trimestre de 2026, a produção industrial americana atingiu o nível mais alto desde 2019. O ISM Manufacturing PMI registou 52,7 em março de 2026, terceiro mês consecutivo de expansão, depois de dois anos de contração. A produtividade no sector produtivo cresceu 1,9% em 2025, o maior aumento anual desde 2010, e 3,2% no primeiro trimestre de 2026 em termos anualizados. As encomendas de bens duráveis subiram 8,2% em 2025, sinal de antecipação de investimento produtivo. O índice de produção industrial está 2% acima do nível de 2024, depois de anos de contração.

Na balança comercial, o Bureau of Economic Analysis (BEA) registou que o défice acumulado de bens e serviços caiu $213,5 biliões de USD (192 mil milhões de euros) nos primeiros quatro meses de 2026, uma redução de 49,1% face ao mesmo período de 2025. As exportações americanas subiram 11,3% e as importações recuaram 5,5%. O défice mensal em abril de 2026 foi de $55,9 biliões de USD (50,3 mil milhões de euros), significativamente abaixo dos picos de 2024 e do início de 2025. O Investimento Direto Estrangeiro nos Estados Unidos totalizou $232,2 biliões de USD (209 mil milhões de euros) em 2025, um aumento de 49,5% face a 2024. E o PIB real cresceu 1,6% em taxa anualizada no primeiro trimestre de 2026, com as exportações, o investimento e o consumo como principais contributos. Estes não são números de um império em declínio. São números de uma economia a (re)industrializar-se.

O Orçamento da Defesa (Guerra) que não é um Orçamento da Defesa (Guerra)

Quando o Presidente propôs um orçamento de defesa de $1,5 triliões........

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