De Yalta a Shenzhen
Entre novembro de 1943 e agosto de 1945, três Líderes Mundiais sentaram-se três vezes à mesma mesa e decidiram o Mundo até hoje. Em Teerão, Roosevelt, Churchill e Estaline acertaram o desembarque na Normandia e a sorte da Polónia. Em Yalta, com a Alemanha a cair, repartiram a Europa em zonas de influência e desenharam as Nações Unidas. Em Potsdam, já com Truman no lugar de Roosevelt e Attlee a substituir Churchill a meio da conferência, fecharam as contas da guerra.
Dessas mesas, e de Bretton Woods, que correu em paralelo, saiu a arquitetura que ainda hoje nos governa: a ONU, o FMI e o Banco Mundial, depois o GATT que viria a ser a OMC, a OMS e, a partir de 1949, a NATO. Oitenta anos de ordem internacional assente numa ideia simples: os vencedores escrevem as regras e criam as instituições que as guardam.
Em todas essas mesas havia um europeu. Churchill estava lá, e Attlee depois dele. A Europa podia estar em ruínas, mas tinha lugar, e foi para ele que lutou: preservar a todo o custo a extração da riqueza ultramarina em África, a extração do petróleo e das riquezas na Ásia e no Médio Oriente, e manter os fluxos financeiros a girar nas praças financeiras europeias de Paris e de Londres.
Se a cimeira que se anda a preparar na China, à margem da APEC de Shenzhen, em meados de novembro, se vier a realizar, esse lugar ficaria vazio. Trump, Putin e Xi. Ninguém de Bruxelas, ninguém de Paris, ninguém de Berlim. E, ao que tudo indica, ninguém de Londres, já para não falar dos desgraçados dos ucranianos que pagam em sangue os desvarios do “The Great Game” iniciado pelos ingleses no século XIX.
O fantasma de Yalta em todo o esplendor. A 20 de outubro, o conselho editorial do Wall........
