Não foi Salazar que inventou os Descobrimentos
Temos assistido nos últimos anos a uma campanha tenaz contra a palavra “Descobrimentos” que, como se sabe, se usa para designar aquilo que os navegadores portugueses fizeram nos séculos XV e (parte do) XVI, abrindo novas rotas oceânicas, encontrando e ligando terras e povos que até então Portugal, a Europa e, em certos casos, todo o Velho Mundo pura e simplesmente desconheciam.
Os que atacam a palavra “descobrimento” aplicada a este acontecimento histórico avançam várias ideias para tentar fundamentar esse ataque. Dizem-nos, por exemplo, que essas terras já eram habitadas — o que nem sempre é verdade — e que, portanto, não foram descobertas pois já eram conhecidas por quem lá vivia ou por elas circulava. Dizem-nos, também, que em vez de “descobrimento” se deveria usar o termo “invasão” porque a chegada dos portugueses raramente foi bem-vinda e foi frequentemente acompanhada de violência e apropriação de pessoas e territórios. A esses há que lembrar que a violência e a escravização dos vencidos são, infelizmente, uma constante no passado (e no presente) da humanidade e que a História de Portugal não é a História da Malásia ou do Canadá, ainda que aqui e ali se cruze com elas. A História é uma narrativa construída a partir de documentos e não é possível narrar (nem olhar ou filmar) de todos os pontos de vista ao mesmo tempo. O nosso ponto de vista é o de gente que nasceu ou habita na faixa mais ocidental da Península Ibérica, que foi formada no seio de uma cultura de raíz greco-romana e cristã, e que descende dos que protagonizaram a aventura da abertura e ligação dos mundos por via marítima. Para nós o que resultou dessa aventura foram, em primeiro lugar, descobrimentos geográficos, étnicos e culturais. Devemos ter orgulho nisso e na palavra que o descreve. É claro que se fôssemos indianos, angolanos ou chineses veríamos as coisas de outra forma. Mas não o somos, e não há razão para abdicarmos da nossa própria forma de ver e de descrever as coisas.
Dito isto, o........
