Os desafios da soberania europeia: indústria farmacêutica
No início deste século, o sociólogo António Barreto referia que “os portugueses têm vindo a descobrir a incerteza”, refletindo um sentimento de desgaste num mundo em transformação. Hoje, esta perceção ultrapassou as fronteiras nacionais e tornou-se global, impactando praticamente todos os setores das sociedades, incluindo o farmacêutico. Vivemos num tempo em que a geopolítica saiu definitivamente das páginas dos jornais e entrou no dia-a-dia das nossas vidas.
Durante décadas, a Europa teve cadeias de fornecimento globais estáveis, mas, hoje, enfrenta uma realidade cada vez vulnerável. Neste contexto, a escassez de medicamentos deixou de ser um problema pontual para se tornar um desafio mais regular do sistema de saúde contemporâneo. As suas causas são, em grande medida, políticas e económicas, já que muitos dos sistemas de aquisição privilegiam exclusivamente o preço, ignorando a segurança do fornecimento.
De acordo com a Medicines for Europe, no contexto hospitalar, 74% dos países europeus recorrem a concursos com apenas um fornecedor, evidenciando fragilidades que podem pôr em risco o acesso dos europeus a medicamentos essenciais. Basta........
