Ser conservador em 2026
Poucos livros explicam de forma tão clara a essência do conservadorismo em tão poucas páginas como Conservadorismo, de João Pereira Coutinho (D. Quixote, 2014). Nele, o autor recorre aos exemplos de Edmund Burke – que se assumiu como o primeiro conservador moderno perante o terror da Revolução Francesa – e de Roger Scruton – que percorreu um caminho semelhante perante a experiência anarquista do Maio de 68 – para mostrar como o conservadorismo assume particular importância enquanto escudo protetor das estruturas e dos valores fundamentais da sociedade em momentos de rutura.
Ao relê-lo, há duas reflexões que me assaltam.
A primeira é que é difícil não assumir uma atitude conservadora perante os tempos de profunda transformação social e cultural que vivemos. Os códigos morais evoluíram rapidamente à boleia do individualismo moderno, levando a que questões éticas outrora consideradas de fronteira passassem a ser entendidas como uma prerrogativa moral do indivíduo, ignorando as consequências das suas escolhas para a família ou para a comunidade em que este se insere. Através da sua hegemonia cultural, a esquerda gramsciana encarregou-se de moldar o ensino, as ciências sociais, o jornalismo, a literatura e as artes em torno de uma visão socialmente ultraprogressista e hostil à civilização ocidental. Complementarmente, correntes de........
