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Quando os dados clínicos não alimentam a investigação

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30.01.2026

Portugal fala muito de dados em Saúde, mas continua a tropeçar no essencial. Os dados não fluem, com qualidade e em tempo útil, onde contam, no serviço de urgência, na consulta e no bloco, nem chegam, de forma estruturada, à investigação biomédica e clínica. O gargalo tem dois lados. De um, administrações hospitalares e sistemas centrais que acumulam burocracia, decisões lentas, falhas de redundância e ‘indisponibilidade’ sistémica. Do outro, uma formação clínica que ainda não prepara, de forma generalizada, os profissionais médicos e de saúde para extrair, estruturar e usar dados na prática diária. O resultado é previsível, decisões feitas ‘às cegas’, incapacidade de reutilizar informação para investigação e políticas e frustração em quem trata doentes.

Nos últimos meses, o País viu como interrupções informáticas podem congelar a prestação de cuidados. Em setembro de 2025, uma atualização de software provocou constrangimentos que afetaram centros de saúde e hospitais, com profissionais impedidos de aceder a dados clínicos durante horas. A Ordem dos Médicos classificou falhas deste tipo como evitáveis e a imprensa relatou a extensão dos impactos no terreno. Estes episódios não são apenas anedóticos, expõem também a fraca redundância local e processos de recuperação lentos, tudo em ambiente clínico, onde cada minuto sem acesso ao histórico pode significar risco adicional. Demasiadas vezes, os ‘grandes’ integradores e consultores dos dados clínicos (aqueles que oferecem soluções de TI, sabem?) aparecem nas inaugurações, mas não nas salas de crise, vendem apenas planos e roadmaps, e entregam prémios, tickets e posts nas redes sociais. Quando a única métrica é faturação por pedidos de alteração, a indisponibilidade transforma-se em modelo de negócio.

Mas como fazer isto num país onde fecham urgências a toda a hora e crianças nascem a caminho do........

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