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Os Passos de Passos

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19.02.2026

Há uma arte rara na política que Passos Coelho domina como poucos, a gestão do silêncio. Numa era em que todos falam, todos comentam, todos reagem, todos se posicionam em tempo real e com a elegância de um tweet mal-humorado, Passos escolheu o caminho inverso. Recuou para a vida privada com uma dignidade que, em si mesma, já era uma declaração política.

Não se tornou comentador televisivo, não cultivou uma presença digital ansiosa, não criou movimentos, não apareceu em jantares de homenagem para manter a chama acesa. Guardou o silêncio com a serenidade de quem não precisa de audiência para saber quem é. E isso, numa classe política que frequentemente confunde visibilidade com relevância, é uma forma de carácter que os portugueses reconhecem, mesmo quando não o verbalizam.

A dignidade com que saiu do poder é, paradoxalmente, uma das razões pelas quais a hipótese do seu regresso é levada a sério. Os que saem mal nunca regressam bem. Os que saem com a cabeça erguida deixam sempre uma porta........

© Observador