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Portugal ao espelho, numa sala de embarque 

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13.08.2025

Cheguei cedo. Três horas e meia de antecedência. Como quem chega a um enterro antes do morto. Já lá estava o atraso, tão certo como a velhice, a piscar nos painéis com a mesma indiferença dos médicos enquanto dizem “é benigno, mas convém vigiar”. Quarenta e cinco minutos acabaram em noventa, ou duzentos, sei lá. O tempo estende-se quando não se parte, quando não se volta, quando se fica sentado entre pessoas feitas mobília de aeroporto: imóveis, desconfortáveis e com fome.

Esperar não custa quando se sabe quanto se espera. Mas nem isso. A aplicação dizia atrasado e mais nada. Como se a palavra explicasse. Como se dissesse como fazer com os meus pais a caminho do aeroporto de coração na boca, ou com a roupa na mala, os documentos, a saudade, e tudo despachado para o porão contra a minha vontade ou não fosse o voo estar cheio. Cheio de quê? De silêncio, de desculpas por dizer, de promessas por cumprir.

As hospedeiras, encostadas à porta de embarque como quem espera boleia, falavam alto.........

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