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O barril de pólvora

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“O fogo era a grande singularidade entre os antigos Elementos pois em si próprio não tinha substância. Contrariamente aos restantes elementos – água, terra e ar – o fogo não existe por si próprio. É, antes, uma reacção, a soma brilhante das suas circunstâncias. É uma criação do seu contexto. Conhecer esse contexto é conhecer o fogo. Controlar esse contexto é controlar o fogo.” (Stephen J. Pyne)

Expressão que muito costumamos ouvir por esta altura do ano a respeito das nossas paisagens e da incidência recorrente de incêndios nelas, o título deste artigo é também o título de um livro que acabei de publicar, onde reuni um vasto conjunto de textos que fui escrevendo ao longo dos últimos anos, sobretudo aqui, no Observador, e onde abordo o tema que o país insiste em esquecer no inverno e lamentar no verão: a gestão dos incêndios florestais e a sobrevivência do mundo rural.

A política de fogos em Portugal tem sido pautada por um populismo punitivo e por um “Estado Xerife” que asfixia quem vive, limpa e trabalha a terra. Todos nos lembramos das promessas feitas pelo poder político a cada grande tragédia que assola o nosso território.........

© Observador