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Reino Unido em tropicalização acelerada

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29.06.2026

Em Abril, o Congresso dos Estados Unidos pôs-se de pé. Várias vezes, dos dois lados do corredor, num país onde os deputados já não se levantam sequer perante o próprio presidente, e onde o último discurso do Estado da União decorreu entre cadeiras vazias e saídas em protesto. Não se levantaram por um governante eleito. Levantaram-se perante, e por, um rei. Carlos III defendeu a Aliança Atlântica, pediu resolução inabalável na defesa da Ucrânia, falou do império da lei e de um poder judicial independente, e implorou aos americanos que não cedessem à tentação de se fecharem sobre si mesmos. Quando lembrou que a palavra da América ainda pesa no mundo, até os democratas fizeram silêncio. Fê-lo precisamente quando o presidente dos Estados Unidos ameaçava reabrir a questão da soberania das Falkland, classificava a NATO como um tigre de papel e tratava o primeiro-ministro britânico com um desprezo pouco habitual entre aliados. Era apenas a segunda vez que um monarca britânico falava ao Congresso, depois de Isabel II em 1991. A monarquia, despojada de qualquer poder político efectivo, empresta ao país no estrangeiro a estatura que nenhum dos seus governantes eleitos hoje lhe garante em casa.

Aquela cena resume bem os últimos dez anos. A instituição que vive da tradição, e não do poder, a sustentar a imagem do país, e o poder eleito a deixá-la cair. O reino que transformou a continuidade numa marca registada tornou-se irreconhecível. Seis primeiros-ministros desde o referendo do Brexit, e um sétimo já a caminho, uma porta giratória que nenhuma outra democracia europeia se atreve a igualar. O génio britânico e a excepcionalidade que daí vêm sempre foram isto: instituições preservadas durante séculos, que valem ao mesmo tempo pelos seus ritos e pelo seu conteúdo. São muitas vezes mal compreendidas e sistematicamente mal retratadas, pois não nasceram da razão iluminista, mas do lento sedimento da experiência. A constituição é o melhor exemplo. Não está escrita em parte alguma. Ninguém a aprovou de uma assentada. Cada peça herdada carrega a memória do problema concreto que um dia resolveu.

Era assim. Já não é. Tocqueville avisou-nos de que a democracia tende a esvaziar os corpos intermédios. A Grã-Bretanha........

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